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Retecendo futuros indígenas

  • Foto do escritor: Dayana de Cordova
    Dayana de Cordova
  • 5 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de mar.


Fonte: Katú Mirim.
Fonte: Katú Mirim.

Mulheres, cidades, territórios, a terceira temporada do podcast Ningún Lunes Sin Pensar, realizada aqui pelo EN.T.RE, já está dando frutos. Um deles, que teve como ponto de partida o episódio Corpo-território, é o artigo Retomando identidades, refazendo memórias e futuros indígenas, publicado em janeiro de 2025 na Revista Memórias em Rede.


Construído em dupla autoria, Retomando identidades… intercala narrativas da artista e ativista Katú Mirim com texto da antropóloga e pesquisadora Dayana de Cordova, integrante do EN.T.RE. No artigo, Katú versou sobre suas experiências como mulher indígena que nasceu e vive em contexto urbano encarando o racismo, sobre o processo de retomada de sua identidade indígena e sua atuação como artista-ativista. Dayana escreveu provocada pelas palavras de Katú e acionando fontes diversas, como falas de outras pessoas indígenas, matérias jornalísticas, pesquisas estatísticas (a exemplo de algumas edições do Censo Demográfico do Brasil realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE), dentre outras.


Uma das discussões centrais de Retomando Identidades… passa pela categoria “pardo”, pensada como uma tecnopolítica estatal epistêmicida de apagamento de identidades indígenas. Ao mesmo tempo, assume a complexidade lenticular do termo, relativa a seus múltiplos e coexistentes significados, e lembra que ele tem se insurgido como uma categoria identitária cada vez mais demandada por pessoas que se percebem como multirracializadas e não especificamente como “brancas", “negras", “índígenas". 


Mas o coração do texto é o processo de retomada de identidades indígenas. Através de sequestros, proibição do uso das línguas nativas, processos de migração forçada em função da depredação e do roubo de terras, a sociedade brasileira sistematicamente negou e trabalhou para destruir identidades indígenas. Juntando fragmentos de narrativas, saberes, experiências de seus ancestrais, pistas dadas por outros povos, Katú Mirim e diferentes pessoas indígenas, por vezes comunidades inteiras, retomam suas identidades retecendo suas memórias. 


Se as indigenidades de Katú e de tantas outras pessoas foram negadas em um passado mais ou menos recente, elas estão construindo para si (para outros e talvez também para nós) futuros indígenas. Como discutimos no episódio Esperançar e imaginar, o último de Mulheres, cidades, territórios, o futuro utópico de uma cidade menos desigual, sexista, racista, misógina já se faz presente em muitos contextos através das mãos de mulheres. E, incluo aqui, das mãos de pessoas indígenas.


 
 
 

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